2016/17: O que o clima reserva para a nova safra do Brasil?

Após a ocorrência de um forte El Niño, que trouxe muitos prejuízos à agricultura brasileira, o clima passa por um período de transição para a chegada do La Niña. De acordo com informações do NOAA - Serviço Oficial de Meteorologia dos EUA -, há de 55% a 60% de chances do evento ocorrer entre os meses de agosto e outubro. Já na visão do climatologista, Luiz Carlos Molion, o evento climático deverá se intensificar entre setembro e outubro e permanecer até 2019, e voltar a atrapalhar a produção agrícola nacional.

 

"Isso pode atrapalhar muito a produção agrícola, especialmente, a produção de soja, porque as chuvas no Centro-Oeste começam a ficar mais firmes a partir de novembro, e os produtores querem plantar em outubro por causa da safrinha. Muitos podem perder a semente se plantar no fim de setembro, começo de outubro", explica Molion.

 

O La Niña, tradicionalmente, traz condições de um tempo mais seco para a América do Sul durante sua ocorrência e, para o Brasil, especificamente, se caracteriza por mais chuvas para a região Nordeste, temperaturas mais baixas do que o normal durante o verão no Sudeste, atraso da chegada das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, além de um verão mais seco no Sul do país. Entretanto, ainda como explica Molion, esses efeitos podem variar de acordo com a intensidade do fenômeno.

 

 

Trigo

No Sul do Brasil, as lavouras de trigo da temporada 2015/16 já foram cultivadas e estão em pleno desenvolvimento. No caso do cereal, a grande preocupação se dá por conta da possibilidade de geadas tardias, principalmente no mês de setembro. Isso porque, as plantações, em sua maioria, estarão em a um período mais avançado de desenvolvimento e podem registrar perdas, especialmente no sul do Paraná e no Rio Grande do Sul.

Já para a safra 2016/17, de acordo com informações da INTL FCStone, as expectativas são "mistas". O clima mais seco esperado para o sul do Brasil pode impactar de forma diferente em cada região produtora do país.  “Em geral, os produtores brasileiros ficam mais animados com as projeções de menor pluviosidade no fim do ano, o que favorece a colheita”, diz a consultoria.

 

 

Soja e Milho

Para as safras de verão de soja e milho 2016/17 do Brasil, o maior risco, segundo pontuam especialistas, é essa possibilidade de atraso das chuvas a partir do período de setembro a outubro deste ano, já que os produtores vêm buscando plantar cada vez mais cedo para garantir a safrinha. O alerta de Luiz Carlos Molion é para a probabilidade de que, nas localidades em que a semeadura for feita nesse intervalo – final de setembro e começo de outubro – há a probabilidade de que as sementes sejam perdidas, já que a umidade poderá ser insuficiente. Para o milho, a situação exige ainda mais atenção para o Sul do Brasil, onde o plantio, em determinadas áreas, começa a ser feito já no final de agosto. Na sequência, a atenção se dá para o veranico severo que pode ocorrer em janeiro e se estender até fevereiro de 2017, fenômeno que poderia prejudicar o desenvolvimento das plantas, comprometendo, principalmente, a fase de enchimento de grãos, onde a presença da água é determinante. As previsões mostram ainda que as chuvas voltariam a se regularizar, principalmente para o Centro-Oeste – maior região produtora de grãos do Brasil – a partir de março.

 

Fonte: Notícias Agrícolas.

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