Safra 2015/16 está finalizando com produção de 35,6 milhões toneladas

05/09/2016

O Paraná está encerrando a safra 2015/16 com expectativa de produção de 35,6 milhões de toneladas de grãos, cerca de 6% inferior à do ano passado (2014/15), quando alcançou 38 milhões de toneladas e teve clima com menos adversidades. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, que divulgou o levantamento, o resultado final só será conhecido após a colheita de trigo, que vai até novembro, e o desempenho da safra ainda está sujeito às alterações do clima.

As duas últimas grandes lavouras do ciclo anual de grãos que estão em campo são o milho da segunda safra e o trigo. Mas os indicativos já apontam uma consolidação da projeção que está sendo feita, diz o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni.

Ele explica que o Paraná teve safra menor neste ano em decorrência do clima, com um dos invernos mais rigorosos dos últimos 20 anos, que reduziu a produtividade das lavouras. Além de sucessivas geadas, o Paraná enfrentou excesso de chuvas no verão do ano passado e seca na sequência.

A expectativa agora é que a comercialização da produção da segunda safra de milho e dos cereais de inverno, liderada pelo trigo, corresponda aos anseios dos produtores e que os preços hoje praticados não sofram queda abrupta devido a uma melhor oferta sazonal, considerando que a produção brasileira atende apenas 40% das necessidades de consumo. A produção de trigo deverá entrar em uma fase de disputa com a da Argentina e dos Estados Unidos, que são os principais fornecedores do Brasil e tiveram boa produção este ano.

“O produtor investiu em tecnologia e agora é hora de colher e vender. O fator clima e preço neste final de ciclo são determinantes para ele consolidar o planejamento e fechar o ciclo de produção e comercialização da safra 2015-2016 com margens menores devido à queda dos preços das commodities, mas sem sobressaltos”, disse.

Segundo Simioni, as lavouras de inverno são recomendadas pela pesquisa e a assistência técnica para que ocorra rotação de culturas, diminuindo a incidência de pragas e doenças e também para baixar custos. “É muito caro para o produtor deixar áreas sem lavouras por quatro meses por ano”, explicou ele.

Para o milho, a situação se inverte, com tendência de os preços se manterem firmes em função da menor oferta no Estado e em todo o País e por ser esse um período de entressafra. Com isso os riscos de queda acentuada dos preços é menor comparativamente ao trigo.

 


TRIGO

A expectativa para a colheita de trigo é de uma safra cheia, que pode atingir um volume de 3,3 milhões de toneladas, quase igual à anterior, que chegou a 3,28 milhões de toneladas. Porém, nesta safra houve um recuo de 20% na área plantada.

Este ano, o Paraná plantou um total de 1,08 milhão de hectares. E no ano passado, a área ocupada alcançou 1,35 milhão de hectares. A produtividade, maior, que poderá ser alcançada este ano, vai compensar a perda de área, como explicou o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho. “Apesar dos sustos com o clima no início do ciclo, como seca, seguido de chuvas e de geadas, eles não afetaram o trigo que ainda estava em estágio de desenvolvimento”, disse o técnico.

O trigo está praticamente plantado em todas as regiões do Estado e a colheita já começou a partir da região Norte, devendo ser finalizada até novembro na região Sul. Até lá, há duas preocupações, ressaltou Godinho.

Cerca de 80% das lavouras ainda estão em fase suscetível à geada e ainda há previsões de geadas tardias que podem atingir a região Sul do Estado, justamente onde se concentram as lavouras de trigo em fase de risco.

Outra preocupação – continuou Godinho – é com a possibilidade de ocorrência de chuvas na colheita, que prejudicam a qualidade dos grãos e também podem impor perdas severas às lavouras.

O Deral prevê bom escoamento da produção neste início de safra, apesar dos preços com tendência de declínio.

Atualmente o trigo está sendo vendido, pelo produtor, por cerca de R$ 40,00 a saca com 60 quilos, ligeiramente acima do preço mínimo do governo federal, que é de R$ 38,65 a saca. Segundo Godinho, a tendência é de queda nos preços do grão, à medida que se intensifica a colheita e aumenta a oferta.

Além disso, esse cenário pode se agravar com a entrada de trigo da Argentina e dos Estados Unidos, que pode baixar ainda mais o preço pago ao produtor.

“Como o período atual é de planejamento para a safra do ano que vem, em função da necessidade de comprar já os insumos necessários para a produção, a expectativa é de queda drástica na área plantada com trigo em 2017”, prevê o técnico.

 


MILHO SAFRINHA

A segunda safra de milho plantada no Paraná, a de milho safrinha, está em final de ciclo, com 93% da área plantada já colhida. O volume de produção deverá atingir 10,9 milhões de toneladas, cerca de 15,7% menor que o volume esperado.

A sequência de eventos climáticos durante o ciclo de desenvolvimento do milho safrinha, como falta de chuvas, seguida de geadas, provocou a perda de 2 milhões de toneladas, que está fazendo falta no mercado agora.

Segundo o técnico que acompanha o milho no Deral, Edemar Gervásio, a região Norte do Estado foi a mais afetada e deixou de colher 1,3 milhão de toneladas em relação ao esperado.

“Há escassez de produção de milho em todo o País, a produção nacional tem perdas acima de 15 milhões de toneladas do grão, podendo ultrapassar 20 milhões de toneladas”, disse o técnico. Com isso, os preços do grão explodiram no mercado, o que está compensando os prejuízos com a perda física da lavoura. Os produtores não esperavam a reação dos preços no mercado.

Cerca de 60% da segunda safra já está vendida e o escoamento total da produção poderá movimentar um total de R$ 6 bilhões, em preços pagos ao produtor 50% a mais ao que ocorreu no ano passado, quando a produção total comercializada rendeu aos produtores cerca de R$ 4 bilhões, estima o técnico que acompanha o milho no Deral, Edmar Gervásio.

O milho foi comercializado, no ano passado inteiro, por uma média de R$ 21,68 a saca com 60 quilos. Já este ano, até agosto, a média está em R$ 35,00 a saca, uma alta de 60% em relação ao ano passado.

Além da oferta menor, também influencia no preço a desvalorização do real ocorrida no início deste ano e também uma elevação no consumo do grão por parte das principais cadeias produtivas que consomem milho, como a avicultura e a suinocultura. “Essa combinação de escassez mais aumento de consumo pelas cadeias produtivas, resultaram na explosão das cotações”, avaliou Gervásio.

 

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