Produção agropecuária deve ser recorde

A produção brasileira de soja deve atingir 104 milhões de toneladas na safra 2016/2017, recorde histórico para a cultura, segundo números da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) repassados ao jornal O Globo. Com o aumento da produtividade, a previsão é de alta de 4,9% no faturamento, atingindo R$ 133,1 bilhões, apesar da queda das cotações no Brasil, puxadas pelas boas safras americana e argentina. Como boa parte da colheita de soja, assim como a do feijão, está concentrada no primeiro trimestre do ano, a expectativa é que o PIB do primeiro trimestre já reflita a boa safra.

 

O clima vai ajudar na recuperação da produção agrícola que, diferentemente de 2016, terá chuvas mais regulares e o avanço do plantio dentro do calendário previsto. No ano passado, a safra de grãos teve sua maior queda em seis anos, ficando em 186 milhões de toneladas, devido à forte seca ou ao excesso de chuvas causadas pelo fenômeno El Niño, que prejudicou lavouras de diferentes regiões do país.

 

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que serão colhidas 213,1 milhões de toneladas de grãos este ano, um crescimento de 14,2% ou 26,5 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Um recorde histórico para o país. Segundo o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, culturas de peso no agronegócio, como soja, milho, algodão, arroz e feijão deverão recuperar produção e área plantada.

 

Safra de grãos - A expectativa de uma safra recorde de grãos este ano levou economistas a apostarem no agronegócio como a salvação para que a economia brasileira não amargue o terceiro ano sem crescimento em 2017.

 

O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio, que representa quase um quarto (22%) do PIB nacional, deve crescer 2%, quase três vezes mais, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Só o PIB agropecuário, que tem peso menor na economia, de 5%, deve crescer 4,2% este ano, depois de cair 6 % em 2016, segundo projeções.

 

 

AS PRINCIPAIS CULTURAS

Feijão: Os preços não vão se manter nos níveis recordes registrados em 2016, mas o faturamento bruto vai crescer 19,8% em relação a 2016, atingindo R$ 10,1 bilhões, pelo aumento da área plantada e da produtividade.

 

Algodão e arroz: Os preços se manterão nos patamares médios de 2016, mas haverá expansão de área e elevação de produtividade.

 

Milho: Os preços serão inferiores aos observados em 2016, mas haverá aumento da área cultivada e da produtividade. Por isso, o faturamento vai crescer 7,6% em relação a 2016, atingindo R$ 54,4 bilhões.

 

Laranja: Expectativa de crescimento na produção, mas os preços ficarão nos mesmos níveis de 2016. O faturamento terá acréscimo de 7% em relação a 2016, atingindo R$ 6,2 bilhões.

 

Soja: Apesar da queda das cotações puxada pelas boas safras americana e argentina, a produção brasileira deve atingir 104 milhões de toneladas na safra 2016/2017, recorde histórico para a cultura. Com o aumento da produtividade, a previsão é de alta de 4,9% no faturamento, atingindo R$ 133,1 bilhões.

 

Café: É esperada queda de 6% no faturamento da cultura de café, apesar de previsão de alta na mesma proporção do preço do grão. É que a produção deve encolher 11,4%.

 

Trigo: A produção deve ser a mesma de 2016, de 6,34 milhões de toneladas, mas haverá redução do faturamento com a queda nos preços do cereal.

 

Leite: Embora a previsão seja de manutenção na oferta, os preços pagos aos produtores devem cair em relação a este ano, fazendo o faturamento encolher 4,6%.

 

Carne bovina: O crescimento estimado em 2% da produção de carne bovina não será suficiente para manter o faturamento, pois os preços devem cair 2,5% com a substituição por carne de frango e suína, que são mais baratas.

 

 

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