FECOOPAR: Nota de Esclarecimento

Uma obra artística pode ter muitas interpretações, mas é preciso atenção quanto a generalizações que disseminam preconceitos e desinformação. Com o enredo “Xingu, o Clamor da Floresta”, a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, busca homenagear os povos que habitam o Parque Indígena situado no Norte do Mato Grosso. O respeito às etnias indígenas é justo e louvável e o samba-enredo pode contribuir para a conscientização sobre os problemas que essas comunidades enfrentam. O que o setor cooperativista paranaense repudia é a visão distorcida que o enredo promove, classificando os agricultores como vilões e agressores da natureza.

 

A produção de alimento é uma atividade digna e fundamental para toda a sociedade. No Brasil, um agricultor produz o suficiente para alimentar 155 pessoas. O setor garante a segurança alimentar nacional e gera emprego e renda para milhões de brasileiros. Somente na safra de grãos e fibras, os produtores rurais vão produzir cerca de 215 milhões de toneladas, além da produção pecuária, hortifrutigranjeira e sucroalcooleira. O campo contribui com cerca de 23% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, responde por cerca de 40% do total das exportações e emprega mais de 30% da mão de obra nacional. A agricultura alimenta e fortalece a economia do país, sustentando a balança comercial num período de forte recessão e queda de produtividade nos outros setores.

 

Uma percepção simplista sobre o cultivo de alimentos ignora os avanços do setor agrícola em boas práticas no campo, tecnologia e o compromisso crescente com a sustentabilidade. Lembremos que a atividade agrícola ocupa apenas 7,5% do território nacional. A vegetação nativa ocupa 65% e as áreas indígenas representam 11,6% do território.

 

O cooperativismo tem por base valores de ajuda mútua, democracia, equidade e responsabilidade social. Em nome dos mais de 140 mil cooperados do ramo agropecuário no Paraná, consideramos um equívoco promover a generalização e a desinformação. A Imperatriz Leopoldinense, ao criar seu samba-enredo poderia basear-se em informações mais aprofundadas e que promoveriam um debate saudável sobre o país. Infelizmente, optou pela linha mais superficial, exaltando estereótipos e radicalismos. Por fim, reiteramos que não se pode generalizar e rotular de forma pejorativa a um segmento que tanto contribui para o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

 

 

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