Vazio Sanitário tem mudanças para o ano de 2019

Plantas de soja emergidas na pós colheita da lavoura. Perdas de produção e dificuldades na eliminação dessa grande quantidade de plantas poderiam ser minimizados com um ajuste adequado da colhedora. (Foto: Carlos Klenki)

 

A Portaria 202/2017 da ADAPAR (Agência de Defesa  Agropecuária do Paraná), disciplina o cultivo da soja no Estado do Paraná e estabelece o período do vazio sanitário da cultura. O objetivo desta medida é a colocação em prática de uma das mais efetivas estratégias de defesa sanitária vegetal, no caso da soja:  o controle da ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, doença que tem trazido grandes perdas na produção de soja e exigido investimentos cada vez maiores nas medidas de controle e  tem  mostrado,  também, nas últimas safras, redução na sensibilidade aos fungicidas empregados, principal ferramenta utilizada no controle da doença na cultura estabelecida. E para tornar mais necessária a adoção do vazio sanitário e a calendarização da semeadura da cultura, não se tem previsão do lançamento de novos fungicidas para o controle da doença, o que torna mais importante a adoção de todas as medidas capazes de prolongar a vida dos poucos fungicidas que ainda apresentam  níveis de controle satisfatórios.

 

Mas afinal, o que estabelece esta portaria?

 

Estabelece datas limites para iniciar e finalizar as atividades de cultivo da soja no estado do Paraná, e um período em que fica proibido o cultivo e a manutenção de plantas de soja vivas, dessa forma:

 

- Semeadura da soja: de 11 de Setembro a 31 de Dezembro;

- Colheita da cultura ou interrupção do ciclo: até 15 de Maio;

- Eliminação das plantas vivas de soja (plantas nascidas após a colheita na lavoura ou de grãos que ficaram pelo caminho - transporte, ou em locais de beneficiamento e armazenamento):  até 09 de Junho;

- Vazio Sanitário da Soja: 10 de Junho a 10 de Setembro.

 

A limitação da data de semeadura tem como princípio a redução na pressão de seleção do fungo causador da ferrugem, pelo uso de fungicidas em uma janela de aplicação não estendida. Com essa medida, pretende-se prolongar a vida útil dos fungicidas atualmente existentes, até que novos produtos sejam disponibilizados.

 

Já o vazio sanitário, visa a interromper o ciclo de vida do fungo, reduzindo o inóculo no ambiente e consequentemente retardando o início do processo infeccioso na nova safra. Isso torna-se possível devido à uma característica desse patógeno. Ele é biotrófico, ou seja, só é capaz de se multiplicar em um hospedeiro vivo, e, no caso do fungo causador da ferrugem da soja, não temos hospedeiros alternativos importantes no país.  Outra característica que justifica a adoção dessa prática é que a sobrevivência dos esporos no ambiente é relativamente curta (em torno de 60 dias), por isso um período de 90 dias sem a manutenção de plantas de soja vivas. Outra característica é que a dispersão dos esporos a longas distâncias é realizada basicamente por correntes aéreas, que são eficientes quando deslocam o esporo de onde são produzidos, ou seja, diretamente da folha da cultura infectada. Por estes motivos, já verificamos a grande importância na adoção dessas medidas.

 

Então, o que devemos fazer?

 

Neste momento, nossa obrigação é eliminar todas as plantas de soja das áreas colhidas, responsabilidade dos produtores e proprietários de terras. E das outras áreas onde possam existir plantas de soja vegetando, fica sob a responsabilidade de quem administra o local: Exemplo: das ferrovias e estradas pedagiadas, são as concessionárias; das estradas municipais, as prefeituras; dos locais de armazenamento, indústria ou movimentação de grãos, os proprietários ou administradores desses ambientes. Enfim, todos os envolvidos têm responsabilidades e devem colocar em prática as ações necessárias para que se cumpra essa determinação. Caso contrário, medidas administrativas serão adotadas pelos órgãos de fiscalização e de defesa agropecuária.

 

Então não esqueçamos: a partir de 10 de junho não poderemos ter plantas de soja vivas em nenhum local. Portanto, as medidas de eliminação devem ser adotadas antes desse prazo. Não deixemos para os últimos dias, pois um fator climático adverso pode resultar em atrasos operacionais.

 

E dúvidas podem ser esclarecidas com o quadro de técnicos da Cooperativa.

 

Lavoura de soja com alta severidade da ferrugem.  Várias práticas devem ser adotadas ao longo do ano, para que casos como este sejam evitados. Perdas na produtividade são expressivos e custo no controle são elevados para essa doença quando a incidência inicia precocemente. (Foto: Embrapa)

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